segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Teísmo(?) Aberto


Texto puxado do blog do Baggio que faz uma reflexão pertinente sobre o Teísmo Aberto.

Há 5 anos aconteceu o Tsunami da Ásia, uma catastrofe que tirou a vida de 230 mil pessoas e deixou mais de 1 milhão de desabrigados nos 11 países que sofreram a devastação causada por ondas gigantes.

Inconformados com a tragédia de proporções bíblicas, alguns pastores e teólogos brasileiros começaram a questionar se Deus poderia realmente estar no controle do mundo e, ao mesmo tempo, permitir tanta morte e sofrimento. A onda do Tsunami trouxe consigo um outra onda para os cristãos brasileiros: o teísmo aberto.

O texto abaixo apesar de breve, dá uma noção sobre o que é o teísmo aberto, sua premissa básica e para onde, em última instância, ele conduz.

Denominei essa postagem de Teísmo seguido de um sinal de interrogação porque quanto mais leio textos daqueles que abraçaram essa visão sobre de Deus e homem, parece que estou lendo conceitos mais próximos com o Deísmo do que com o Teísmo propriamente dito.

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Numa série de livros, Clark Pinnock e John Sanders tem promovido uma visão de um Deus finito e limitado em seu poder e conhecimento. Eles afirmam que se o homem tem livre-arbítrio de verdade, então Deus não pode ordenar nem conhecer os eventos que irão acontecer no futuro. O futuro está em aberto, no sentido de ser tanto criação do homem como de Deus. Como Pinnock escreve:

A idéia da responsabilidade moral exige que acreditemos que as ações não são determinadas, nem interna nem externamente. Uma importante implicação desta forte definição de livre-arbítrio é que a realidade permanece, em certa extensão, aberta, e não fechada. Isso significa que uma novidade genuína pode aparecer na história, que não pode ser prevista por ninguém, nem mesmo por Deus. (…) Tal conceito implica em que o futuro realmente está em aberto, e não disponível à exaustiva presciência nem mesmo da parte de Deus. Fica bem claro que a doutrina bíblica do livre-arbítrio humano exige de nós que reconsideremos a perspectiva convencional da onisciência de Deus.

Em outras palavras, o que se infere daí é que quase a totalidade da tradição cristã, incluindo aí o arminianismo clássico, desde o primeiro século até agora, tem afirmado uma noção equivocada quanto à natureza de Deus – mas, felizmente, no fim do século XX, Pinnock, Sanders e outros conseguiram finalmente entender a verdade! Que essa postura é inacreditável fica evidente, ao se observar que a Escritura é clara ao refutar tal ensino. (…) Um dos fatores que distingue o Deus verdadeiro de Israel dos falsos deuses é precisamente o fato de que Deus conhece o futuro absolutamente e, assim, é capaz de predizer o que acontecerá com certeza (Is 46.10). Os planos de Deus não são frustrados (Sl 33.10-11), porque ele faz tudo segundo o conselho da sua vontade (Ef 1.11).

O problema está no fato de que, ao definir o livre-arbítrio como uma causa totalmente indeterminada, Pinnock criou uma contradição que não existe na Bíblia. (…) A Bíblia põe a livre agência do ser humano e a providência de Deus lado a lado, sem a menor indicação de que haja contradição entre as duas. Isso porque a liberdade da Criação não implica sua autonomia diante do Criador, como Pinnock afirma. Além disso, já vimos que, ao contrário do que pensa Pinnock, a responsabilidade humana não está vinculada com a noção libertária do livre arbítrio. Isso é um conceito filosófico que é imposto ao texto bíblico, mas que não surge do texto em si.

Os problemas do teísmo aberto são muitos. Roger Nicole, numa resenha que escreveu sobre um dos principais textos deste movimento, The Openness of God, levanta vários problemas e perguntas a respeito do teísmo aberto.

Primeiro, ele nota que o teísmo aberto não é consistente com a existência de profecias detalhadas nas Escrituras. “Como Deus poderia saber que Judas trairia Jesus por 30 moedas de prata, quando o pagamento e aceitação de tal soma dependiam de decisões imprevisíveis dos principais sacerdotes e de Judas?” De fato, uma profecia, como a crucificação de Jesus, não exige apenas que Deus conheça o que acontecerá no futuro, mas que ele também tenha controle soberano sobre cada decisão livre de todos os agentes que participaram nos eventos, como de Pôncio Pilatos e dos soldados que lançaram sortes sobre a túnica de Jesus. Mas, como Nicole afirma, se Deus nem soubesse com certeza que Adão cairia em pecado, certamente ele não poderia “prever a morte de Cristo antes da fundação do mundo” (1 Pe 1.20; Ap 13.8; 17.8). A visão de Pinnock e Sanders, segundo Nicole, faz com que Simeão tivesse mais conhecimento do que Deus (Lc 2.35).

(Franklin Ferreira e Alan Myatt em Teologia Sistemática, Vida Nova, 2007)


Muitas vezes o ser humano, na sua pequenez, limita tanto a Deus, capaz de prendê-lo na sua própria limitação.

Esquece que o próprio Deus criou o céu, a terra, o tempo, a lógica humana. E Ele mesmo não está preso a nenhuma dessas limitações.

Para continuar lendo o texto, é só ir ao blog do Sandro Baggio.

2 comentários:

  1. As vezes me dá umas incertezas...
    E fico me perguntando, como foi o começo do mundo, o que aconteceu antes, e bla bla bla...
    Mas, a biblia mesmo exclui varias coisas, que nós queriamos saber... como isso q eu citei acima, a biblia da um breve, e pronto...
    Mas, Deus foi inteligente a ponto de saber q a nossa linda cabeçinha não caberia isso...
    Se nós não damos conta de ler a biblia com tanta frequencia, imagina se Deus colocasse tudo q aconteceu lá no inicio de tudo...
    Deus é sabio, e não iria medir com a gente, mesmo q nem poderia, ele sabe o qto somos fraco.
    Não a ninguém como ele, em sua fortaleza e sabedoria...
    Realmente não podemos medir a Deus, quanto a nossa inteligencia, ou oq pensamos ser...
    Deus é além disso... muito além

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  2. Exatamente!

    Dúvidas e incertezas são naturais. Mas o que você diz é a pura verdade.

    Às vezes ficamos incertos ao analizarmos fatos, mas é só levantarmos a cabeça e olharmos Sua obra a nossa volta, ou baixarmos a cabeça e olharmos a perfeição e minunciocidade do corpo humano. E se ainda assim não for o bastante, o mais importante, que é a certeza dEle agindo em nossas vidas não pode ser tirada por nenhuma "prova" científica.

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