sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Comunidades Cristãs Alternativas: Uma Conexão Direta Com Os Jovens



Foi publicada uma matéria bem legal sobre o IU na última edição da Revista Mista, em que lemos a visão da jornalista Ana Eliza sobre a comunidade:

Chego à pequena sala branca meia hora antes de começar o culto. A guitarra, a bateria e o baixo, juntamente com os músicos, já estão posicionados. Eles ensaiam os primeiros acordes dos hinos a serem cantados. Em breve o culto vai começar...

Logo na entrada, percebo que não se trata de uma igreja engessada nos moldes tradicionais. Sem bancos ou altar, os jovens que chegam se acomodam sobre o chão ou sobre alguns bancos de plástico. A cena chama atenção por se tratar de adolescentes repletos de tatuagens, piercings e alargadores.

O Impacto Urbano existe há seis anos. Antes, se tratava apenas de um grupo de jovens que se reunia para orar e discutir assuntos que estivessem em pauta na sociedade. Durante este período, muitos jovens que frequentavam o grupo faziam parte de outras igrejas. Após quatro anos neste formato, veio a necessidade de se transformar em algo mais sério. Foi aí que surgiu a Comunidade Impacto Urbano.

Do lugar onde estou sentada, um pequeno sofá preto, observo atenta os movimentos de todos. O clima é de descontração. Muitos conversam entre si, brincam, outros leem a Bíblia. Uma Bíblia diferente da tradicional. Ao ler os dizeres da capa, vejo que se trata de uma edição feita para jovens, com um linguajar próprio para eles.

Alguém pede silêncio, o culto vai começar. Como em toda igreja, ali também o culto se inicia com o cântico de alguns hinos. Os músicos começam a tocar tímidos, mas aos poucos vão se soltando. As pessoas que estão no local pegam alguns instrumentos improvisados e se juntam ao coro. Muitos dos hinos tocados são “famosos” e fazem parte de outras igrejas. A novidade está nos novos arranjos de reggae, hardcore e rock, em que os cânticos são inseridos. Ao meu redor, todos parecem saber a letra das músicas cantadas.

Após os cânticos, chega o momento da liturgia. A Comunidade conta com três pastores que fogem totalmente da figura estereotipada de um pastor. Eles não usam ternos ou qualquer tipo de roupa formal. Dois são tatuados e até usam piercings... Voltando ao culto, para minha surpresa quem conduz o momento de leitura da palavra não é o pastor. O assunto escolhido é o julgamento. O rapaz que fala se chama Vanderson Meirelles, tem 23 anos e há cinco frequenta a Comunidade. Ele escolhe algumas passagens da Bíblia e faz uma explanação do assunto. “Fui criado em uma determinada igreja durante toda a minha vida, mas quando comecei a frequentar o Impacto Urbano percebi que aqui era o meu lugar”.

Terminada a leitura da palavra, é aberta uma discussão sobre o tema escolhido. Cada um conta histórias e situações em que já julgaram e foram julgados. A todo tempo posso perceber a liberdade que todos têm para se expressar. Durante a reunião, também existe o momento das ofertas. (Posteriormente, fiquei sabendo que todo o dinheiro arrecadado é utilizado para pagar as despesas do aluguel da sala, de água e de luz). Quem pode contribuir coloca o dinheiro dentro de uma pequena lata de metal. Uma última oração e o culto é encerrado. O momento seguinte está aberto para prosas em geral.

Nos últimos 20 anos estão surgindo em todo o Brasil igrejas no formato da Comunidade Impacto Urbano. Estas denominações têm como principal objetivo aproximar os jovens da mensagem de Deus de forma mais direta e simples. Para as pessoas que frequentam estas comunidades, o fato de você ser tatuado não o leva para o inferno.

Os pastores que estão à frente da Comunidade Impacto Urbano afirmam que o grupo foi criado com o objetivo de simplificar a religião e a Bíblia. “Nós seguimos a Bíblia e seus mandamentos. Por isso, nossos membros têm toda a liberdade. Em vez de privarmos os jovens de certas coisas, procuramos orientá-los”, explica o pastor Abraão Barbosa, de 24 anos.

Questiono se por causa do formato da Comunidade, eles são discriminados pelas igrejas tradicionais. “Eles sempre nos julgam porque temos piercing, tatuagem e nos vestimos de forma diferente. Mas não nos preocupamos com isso, pois nossa maior prioridade é continuar propagando a mensagem de Deus por meio da Bíblia”, afirma o pastor Wesley Cipriano, de 33 anos.


Você pode fazer o download desta última edição da revista através do site e das edições anteriores.

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